.......RunninG.........


E SAIO DO UOL, PARA ENTRAR NO BLOGSPOT.

Eu gostaria de ter mais idéias para um post de despedida.

Mas eu as odeio, invariavelmente.

 

Há tempos que nada mais me surpreendIA por aqui, e isso é fatal para qualquer idéia que eu possa ter. Sinto por tudo que vai ficar por aqui (provavelmente, um dia ele também vai sumir, o UOL irá matá-lo, assim como o BLIG; antes, matou seu antecessor), mas estou definitivamente retirando os aparelhos que mantinha o “Running” respirando. Amém.

 

Entretanto, continuarei (tenho que).

Confesso que esse terrível e doentio (literalmente) primeiro semestre contribui para que, aqui, eu deixasse as cinzas deste blog.

Cansada estou, do mesmo. Esse mesmo que não se permitia mudança, que sempre se bastou pequeno – assim eu estava. Não quero que meus sonhos e meus ideais (adormecidos, mas vivos) sejam do tamanho da minha altura – que é mínima.

 

Assim, agradeço a todos os comentários tecidos, todos os momentos compartilhados, todas as doenças curadas, todos as alergias acompanhadas, todos os amores não-correspondidos, todas as paixões diárias, todas as compras que esqueci em cima do balcão, todas as pessoas bizarras do meu cotidiano – desde o simpático senhor do metrô ao tio sem braço da rodoviária, todos os amigos que aqui foram conquistados e eternizados, toda a dislexia compreendida, toda a tristeza respeitada, toda a alegria dividida.

Todos os que passaram, todos os que ficaram, todos os que aqui permaneceram, todos os que se foram.

É mínimo o meu agradecimento a tanto conteúdo, carinho e respeito que pude retirar deste espaço.

 

Todos os momentos aqui relatados, serão registrados.

E os meus sonhos, mudaram:

www.paragrafotravessao.blogspot.com

 

Continuo correndo, atrás de qualquer coisa que me tire o sono, que me dê prazer, que me dê tesão, que me encante, que me arrepie, que me motive.

E me desligando de tudo que já não se encaixava nisso: a medicina, alguns amigos, algumas pessoas, algumas paixões e esta página.

Senhores, foi um prazer.

 

Aquele abraço



Escrito por (Raphaela) às 19h59
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NO STAND BY

 

A vontade de escrever se torna menor a cada dia. Desde os primórdios do BLIG, eu morria de medo de que qualquer espaço meu se tornasse um meio de divulgação gratuita da minha vida – o que me incomoda terrivelmente.

 

As idéias já não fluem tão bem. A inspiração fugiu pela janela (sim, aqui onde escrevo tem várias). É um desânimo pessoal, em meio a milhares de problemas que devam ser sanados, por mim.

Nesses 4 anos de espaço, aconteceu de tudo. Comentários ofensivos, comentários que melhoraram o meu dia (alguns que melhoraram a minha semana, e alguns até o meu mês inteiro). Pessoas que agradeceram palavras, algumas que disseram até mudar por causa delas, a todas essas eu agradeço. Porque escrever para si  mesmo é entediante, eu mal tenho paciência de pensar sobre mim.

 

E o melhor de todas essas letras que vieram a calhar em alguns momentos: amigos. Uma patota querida, gênios, com muito a somar.

Não há do que reclamar. Este pedaço simbólico de papel acompanhou-me nos mais diversos momentos (assim como os leitores que aqui vieram). Mas preciso de férias (parece paradoxal já que as atualizações aqui andam capengas).

Então o “Running” vai descansar. De mim. E eu vou descansar dele.

Já chega de posts ordinários sobre coisa nenhuma. Alguns dias, para que  a beleza do cotidiano – o que foi mais retratado em todos esses anos – seja maior do que os meus egoístas problemas pessoais.

 

A fim de considerações: eu estou bem (é, preocupei muitas pessoas nesses tempos também). Vivendo um momento especial ao lado de uma companhia terrivelmente agradável e doce.

Mas outras coisas precisam de uns pontos finais. Será um prazer compartilha-las, assim que ficarem mais leves.

 

Boas férias,

Aquele abraço.



Escrito por (Raphaela) às 14h40
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Bizarrices cotidianas.

 

Na rodoviária:

 

- Hei, mocinha (odeio diminutivos), você sabe onde fica a rua X? (hahaha, até parece que eu vou me lembrar)

- Não sei não senhora, mas a senhora pode perguntar para o guarda (apontando na direção do mesmo).

- Não, quero saber de você mesmo (mêêêêêdo). Você não sabe onde fica mesmo? É no Jardim São Francisco! (fazendo cara de “energúmena, como não sabe?”).

- Desculpe senhora... não sei mesmo. Nunca fui para aquelas bandas.

- Bandas ? É longe pra dedéu então ?

- Não, bem, não sei...

- Era só o que me faltava, chefe filho-da-puta.....

(O que se diz nessas horas ?)

- A senhora pode tentar o Jardim Ribeirão Pires, pelo que sei, passa por lá também...

- Mas você não disse que não conhecia ?

- Senhora, está escrito no ônibus: Jardim Ribeirão Pires/ Jardim São Francisco.

- Ah....... (fazendo cara de “Oh meu Deus, não é mesmo?”)

- Tá bom!

(....)

- Ah sim, obrigada, você não ajudou muito, mas é muito simpática.

(E a senhora é uma anta desembestada, mal educada e analfabeta).

- De nada, imagina.

 

 Dali 10 minutos....uma senhora, em busca da neta:

 

- Menina, desculpe, você sabe qual é o número do Jardim São Francisco?

- NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!

 

Aquele abraço.

E chuta que é macumba.



Escrito por (Raphaphá de Belém) às 16h14
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À pessoa mais interessante que conheci em São Paulo, nesses 3 anos de indas e vindas e que sinto por nunca ter perguntado seu nome.

 

Os dias começavam sempre estranhos. O passar do tempo, os deixaram comuns, como muitas coisas na vida, que com o tempo, acabando perdendo o impacto da primeira visão (quisera eu, que todos os momentos, até o fim, tiveram o encanto da primeira vez).

 

O dia estava sempre meio escuro, com toda a incerteza do seu início. Mas ele estava sempre lá:

- Bom dia menina!

E me entregava um papel. Propaganda de auto-escola alternada com planos de saúde. Talvez ele soubesse que eu nunca os lia. É, li a primeira vez, “eu já tenho carteira de motorista”, “eu já tenho plano de saúde”. Depois, o lixo tornou-se cheio deles.

Assim eram todas as manhãs “Bom dia”, “Bom dia”, lixo.

Confesso que não era uma boa época. Dormir me incomodava, acordar era um pesadelo. Como alguém ousava me dizer “Bom dia”, em dias que começavam sempre embaçados de tanta fumaça e escuridão? Ele. Todos os dias.

 

Em uma dessas manhãs paulistanas, no inverno, ele desapareceu. Uma semana. Soube depois que ficou doente, a típica gripe do frio. No dia em que voltou ao mesmo ponto, estava lá, tremendo com um papel nas mãos:

- Bom dia menina!

E sorriu. E eu lhe dei meu cachecol.

 

Até hoje não sei seu nome. Mas confesso que às vezes só o seu “Bom dia” compensa todos os outros calados.

E quem sabe nesse inverno que chega, ele continue lá, envolto no meu pedaço de pano preto.

 

 

Aquele abraço.



Escrito por (Rapha Baby) às 14h33
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Ribeirão Pires, 13 de junho de 2005.

 

                                               Caro Blog

 

Uma reportagem sobre os “blogs” saiu em algum lugar (que com certeza não irei me lembrar) essa semana. Blogs influentes: políticos, econômicos, blogs que perturbam a “ordem social”, que sofrem ameaças de sair do ar devido ao seu “conteúdo”.

 

Tantas pessoas com tantas coisas a dizer, e eu ? Para que esse pedaço ?

Confesso que pensei n! vezes em te matar. Não via, durante dias, algum efeito surgir de palavras ditas aqui. O que pensavam as pessoas ? Que diferença você fazia em suas vidas ? Ou pior, que diferença fazia na minha ?

 

Balbuciar palavras é fácil. Fazer-se entender começa a complicar. Diferenciar-se é quase impossível hoje. Que fazemos nós ? Desistimos ?

Você me acompanhou em tantas belas fases (assim como todos que o lêem, de alguma forma) e em tantas fases que eu odiava até os meus dedos. “Apagar-te-ei” pensei outras milhares de vezes. Começar de novo.

Outro dia mesmo, fui reler algumas coisas que você guarda. Passado sujo. Passado sereno. Passado belo. Passou.

 

Como lembranças que você guarda, tanto a ser eliminado. Trucidado. Esquecido. Morto.

Conheci alguém que me encoraja a continuar.

Que hoje fique bem claro para ti, que se um dia eu cometer tal ato de homicídio, não será por misericórdia, pena, saudades ou medo.

Será por não saber mais o que fazer ou onde te deixar para que não se torne estorvo íntimo.

Apenas te levar, como mais uma bela recordação, sem traumas.

 

Você tem sido ótimo, como poucas coisas atualmente.

Obrigada. Por ser lixo, papel, cesto, agenda, livro, momento, saudades.

E desculpe. Não por tudo, ou por qualquer coisa em especial.

Você me aceita. É só o que preciso.

Se as pessoas pensam sobre nós ?

(...)

É, quem sabe. Quem sabe.

 

Continuamos correndo....

Aquele abraço,

Rapha.



Escrito por (Rapha Baby) às 19h26
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